Lendas e Causos
Uma das lendas mais antigas, corrente na boca do povo são-pedrense, era a da “ porca dos sete leitões “. Contava-se que, nas noites de sexta-feira, quem passasse pela solitária rua Joaquim Teixeira de Barros, no trecho que vai da atual rua Nicolau Mauro, uma das nossas ruas mais antigas, até a precária ponte do rio Samambaia, poderia ver uma porca e seus sete leitões surgidos do nada a caminharem em direção ao rio. No momento em que alcançavam as águas, desapareciam sem explicação. Na época, comentavam que tal aparição só acontecia para homens casados, que voltavam fora de hora para o lar...

A lenda do Veríssimo Prado – Uma velha história da noite são-pedrense é aquela que, segundo antigos moradores, sempre acontecia às sextas-feiras, por volta da meia-noite. É quando aparecia o Coronel Veríssimo Prado, importante figura na história e política da antiga Vila de São Pedro. Veríssimo Prado era visto montado em seu cavalo a percorrer a rua que leva o seu nome, ainda em chão batido. Partia da antiga estação da Sorocabana, local do atual prédio do JAP, galopando até a Praça da Matriz. Os moradores daquela rua, ao ouvirem o galope do cavalo, assustados, fechavam rapidamente as janelas, para não terem a visão do velho Coronel!
A lenda da loira do banheiro do JAP – Foi com esse nome que ela se popularizou. Onde hoje está localizado o JAP havia a antiga estação da Estrada de Ferro Sorocabana. Ali também se localizava o armazém – depósito de mercadorias. Diz a lenda que dois jovens apaixonados e recém-casados, logo após a cerimônia religiosa, dirigiram-se à Estação para pegar o trem. Iriam realizar a tão sonhada viagem de núpcias. A noiva, que era loira, acidentalmente caiu nos trilhos, sendo atropelada pelo trem. Isso aconteceu exatamente às 22h e 10min. É nesse horário que, até hoje, a loira virgem, que não teve seu casamento consumado percorre os corredores e os banheiros da escola, vestida de noiva, à procura do noivo ou qualquer outro que possa, finalmente, consumar seu casamento...

A lenda das pernas de pau – Essa vem de lá do Bairro Pallu, nas imediações da praça. O fato estranho acontece sempre às sextas-feiras e antes do amanhecer. Dizem que, ao passar pelo local, podem-se ouvir passos de pernas de pau, que seguem pelas calçadas da rua Coronel Arístio de Andrade até a Praça Santa Cruz. Depois os passos fazem o caminho de volta até onde existiu uma máquina de beneficiar café, pertencente a um dos irmãos da família Pallu. A narrativa lendária baseia-se em um fato real que acontecia nos tempos idos. Quando morria alguém que vivia nas terras do Macuco, Querosene ou Capim Fino, o defunto era trazido em macas para a cidade. A maca era uma armação de madeira que sustentava um lençol preso nos paus. Esta era deixada perto da máquina de beneficiar café, quando os acompanhantes faziam uma parada, antes de se dirigirem ao cemitério. Com o passar dos anos, formou-se um grande volume de madeira. Quando a máquina foi desativada, todo o madeirame foi queimado. Não restou nada para lembrar o fato. Porém, ainda hoje, há quem afirme ouvir ruído das pernas de pau indo e vindo da Praça Pallu até a Praça Santa Cruz.
A lenda da procissão das almas – A religiosidade do povo são-pedrense é posta à prova
nesta lenda. Acontece à noite, entre a primeira quinta e a primeira sexta-feira do mês. À meia-noite, almas em procissão, rezando e cantando, descem a rua Veríssimo Prado, desde o início, por todo o percurso, para desaparecer na Dobrada, que fica no final da referida rua, e que hoje é caminho para os novos bairros: Nova São Pedro I e II, Colinas de São Pedro e ABC. Muita gente afirma ter ouvido os cantos e as rezas da madrugada.

A lenda do Jaracatiá – Você, que visitou São Pedro e encantou-se com a cidade, gostaria de ser filho da terra? Então saiba que segundo a cultura das raízes do nosso povo, comer o doce de jaracatiá, durante o mês de fevereiro, época em que os frutos maduros transformam-se em uma das mais finas iguarias, vai transformá-lo em um filho da terra.
A lenda da formação dos rios Samambaia e Pinheiro – Corrente entre os moradores do Bairro do Itaqueri, essa lenda serve para explicar a formação dos rios Samambaia e Pinheiro, importantes na história de nossa cidade. Conta-se que em meio à mata verde e exuberante, nascia um pequeno olho d’água. Este, a princípio quieto, aos poucos ia avolumando-se. Ali havia um grande pinheiro, altivo e dominador. Era apaixonado por uma samambaia de um doce verde, nascida naquele ambiente umbroso. Juntos, sonhavam viver um grande amor, descendo pelas águas do regato. Viveriam lá embaixo. Havia também um cedro, que nutria uma certa admiração pela Samambaia.
Um dia, o Pinheiro, vendo os dois em conversa, foi tomado pelo ciúme. Cego de raiva, rompeu com a Samambaia e seguiu o curso das águas, descendo a encosta. A Samambaia entristeceu-se. Sem poder explicar, dias depois, tomou o mesmo caminho. Diz a lenda que os dois se transformaram em rios: o Pinheiro e o Samambaia, cujas águas mataram a sede dos tropeiros no pouso onde, mais tarde, originou-se a Vila de São Pedro.
A lenda da noiva enforcada – Contada pelos antigos moradores do bairro Paiol de Telha, essa lenda faz referência à aparição, em noites escuras, de uma noiva dependurada por uma corda em uma das mangueiras que há no local. Segundo os que contam a lenda, a árvore na qual ela aparece fica atrás da antiga Capela de São Sebastião, demolida em 2002 e que foi por muito tempo referência histórica do bairro. Primeiramente era tosca, coberta de sapé; somente em 1926 foi reconstruída em alvenaria. A singela Capela tinha em seu interior uma secular imagem de São Sebastião, doada pelos fundadores da região, os irmãos Teixeira de Barros. Diz a lenda que a noiva infeliz, soube que o noivo não pretendia mais se casar com ela. E isso no dia do casamento marcado! Vendo-se traída e abandonada, enforcou-se na mangueira próxima à Capela. Muitos dizem que, ao passar por lá, em altas horas da noite, podem ver a infortunada donzela pendurada na mangueira.
A lenda da Pedra Branca – Segundo os moradores, há muitos anos atrás, uma jovem, contrariando o costume de casamento entre primos, apaixonou-se por um rapaz que não pertencia à sua família. Sentindo-se grávida, ocultou-se o fato aos parentes. Quando o bebê nasceu, decidiu vir à cidade e entregá-lo para alguma família que quisesse cuidar dele, adotando-o. Desciam a serra, ela e o bebê, quando, ao passar pela curva do cocho, mãe e filho foram atropelados por uma carroça desgovernada que vinha em alta velocidade. Era exatamente meia-noite! O acidente separou-a do filho. Até hoje, quem passa por essa curva da serra, a curva do cocho, pode ver essa mãe, desesperada, à procura de seu bebê. Aos motoristas, a quem ela pede ajuda para encontrar seu filhinho, fica a obrigação de pintar uma pedra de branco. Existem, realmente, várias pedras brancas naquele local...
O “causo” do animal em disparada – Contam que um morador do alto da serra precisou vir à cidade com urgência. A madrugada andava longe. A escuridão da noite era total. Com muita dificuldade, arreou um dos animais, que refugava, que teimava em não aceitar o cabresto. Finalmente conseguiu o intento e saiu a galope. Nada o freava. A disparada só acabou no centro de São Pedro: bem na esquina do senhor Pepino Matarazzo, onde havia um poste com um lampião. O animal parou ofegante, com as narinas dilatadas. E o cavaleiro assustado e extenuado, descobriu que no escuro, em lugar de um cavalo, tinha arreado uma anta!
